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Prémio Fidelidade Comunidade contribuiu para o crescimento da economia social

Prémio Fidelidade Comunidade foi pioneiro na dimensão estratégica da responsabilidade social da seguradora. Maria de Belém, Filipe Almeida e Sandro Resende, três elementos do júri da 5ª edição do prémio, destacam a importância do setor social no País

O número de organizações do setor social cresceu 36% (dados do INE) nos últimos dez anos, apesar da crise financeira e da pandemia, situações que puseram à prova a resiliência destas entidades. São atualmente 74 mil organizações que representam 6% do emprego e 3,2% do valor criado na economia portuguesa. Um setor que tem vindo a evoluir rapidamente, também através do diálogo com um conjunto crescente de empresas que estão a assumir estratégias de responsabilidade social.
O Prémio Fidelidade Comunidade surgiu em 2017, com o objetivo de fortalecer o setor social e de reforçar a sua capacidade de resposta às necessidades de inclusão social, apoio no envelhecimento e prevenção em saúde.

Esta iniciativa da seguradora Fidelidade está na sua 5ª edição e até agora investiu 2 250 000€ euros no apoio a 74 projetos em todo o País. Para garantir a qualidade dos projetos que são distinguidos, a cada dois anos, com apoios no valor global de 750 mil euros, a Fidelidade sempre convidou para o júri deste prémio personalidades que conhecem bem a realidade do setor social em Portugal, embora a partir de diferentes visões e experiências.

2 250 000€ investidos

Este ano, o júri presidido por Jorge Magalhães Correia, presidente da Fidelidade, integra Maria de Belém Roseira, ex-ministra da Saúde e ex-ministra para a Igualdade; a jurista Madalena Santos Ferreira; a reitora da Universidade Católica, Isabel Capeloa Gil; Filipe Almeida, presidente da Estrutura de Missão Portugal Inovação Social; e Sandro Resende, artista plástico e empreendedor social. Será este júri que decidirá a atribuição do prémio, sempre com uma preocupação particular em garantir a sustentabilidade e a capacitação destas iniciativas, e procurando criar uma comunidade de entreajuda entre a Fidelidade e as entidades empenhadas em melhorar a situação social do País.

Prémio Fidelidade Comunidade contribuiu para o crescimento da economia social
Maria de Belém Roseira, ex-ministra da Saúde e ex-ministra para a Igualdade

Maria de Belém Roseira, ex-ministra da Saúde e ex-ministra para a Igualdade

História do setor social

Em Portugal, o chamado terceiro setor, que existe pelo menos desde a fundação da nacionalidade, sempre teve algumas especificidades, como lembra Maria de Belém Roseira: “Em Portugal, as misericórdias, criadas pela Rainha Dona Leonor em 1498, eram dirigidas por leigos, por notáveis locais, e não por religiosos, como noutros países. E os membros das mesas, o órgão executivo, não podiam beneficiar da atividade da misericórdia. São características iniciais muito interessantes.

“Já no século XIX e na sequência da Revolução Industrial, em Portugal desenvolveram-se as mutualidades, por ação dos sindicatos, com o objetivo de proteção dos trabalhadores e suas famílias contra os riscos sociais”, nota a ex-ministra. Na sequência do 25 de Abril, o setor social conheceu um grande desenvolvimento em Portugal, mas está ainda aquém da expressão que tem noutros países desenvolvidos. Para Maria de Belém Roseira, “ainda temos um défice de cidadania, e pouca cultura de associativismo, nomeadamente na questão do apoio social. Creio que as associações podiam ser mais fortes e mais apoiadas, como nos países anglo-saxónicos, onde a sociedade se sente mais responsável e não entrega completamente ao Estado aquilo que é a iniciativa de proteger os mais vulneráveis”.

A esta situação acresce, na sua opinião, “a pouca atenção que este setor tem nos media, apesar de terem uma ação e uma missão extremamente importantes num País onde a pobreza é ainda intensa e a privação severa atinge 17% da população”. Uma pobreza, considera a ex-ministra, “com características que não são comuns nos países da União Europeia, como o facto de termos muitos trabalhadores pobres. Estas são pessoas que, quando têm filhos, têm uma intensidade de pobreza ainda maior, o que é muito preocupante.”

Uma década de crescimento

No entanto, “este é um setor que nos anos mais recentes tem tido uma evolução muito assinalável, que tem crescido, que tem maior impacto na economia e que demonstrou uma resiliência notável nas crises que atravessámos recentemente”, afirma Filipe Almeida, professor universitário e presidente da Estrutura de Missão Portugal Inovação Social. Para este responsável, “este setor não tem crescido apenas do ponto de vista do número de organizações, mas sobretudo do ponto de vista da sua capilaridade e das redes colaborativas entre as organizações”. Segundo Filipe Almeida, “esta evolução tem sido fundamental, não só para dar respostas mais rápidas, mas também para desenvolver respostas inovadoras, procurando soluções novas para problemas complexos, o que tem tornado este setor num berço mais ativo da inovação”.

Creio que as associações que temos podiam ser mais fortes e mais apoiadas, como nos países anglo-saxónicos, onde a sociedade se sente mais responsável.

Maria de Belém Roseira

Empresas fazem evoluir

Para esta evolução tem contribuído, segundo Maria de Belém Roseira, “a atenção crescente que é dada ao setor social pelas empresas que assumem a sua responsabilidade social de forma estratégica, na linha de um capitalismo consciente, responsável e com propósito. Quer desenvolvendo proativamente programas e atividades de apoio a estas instituições, quer respondendo às solicitações e necessidades da comunidade à sua volta.”

Neste contexto, e na opinião de Sandro Resende, artista plástico e empreendedor social, é de saudar “a mudança que se está a operar em muitas empresas no sentido de passar de uma lógica de donativo para uma lógica de parceria, de trabalho conjunto, que articule os pontos fortes de cada empresa e de cada organização social. É esse o caminho.” Também Filipe Almeida constata que “está a aumentar o envolvimento das empresas no setor social”. Mas ressalva que “é um processo de aproximação que exige mais movimento dos dois lados”. Para este professor universitário, “os setores público, privado e da economia social, apesar de terem vindo a colaborar mais nos últimos anos, ainda se conhecem razoavelmente mal”.

É um prémio que não apenas transfere reccursos, mas também fortalece as competencias das organizações, partilha boas práticas, exige transparência no processo, e faz a avaliação dos impactos.

Filipe Almeida

Oportunidade de transformação

Para estes membros do júri do Prémio Fidelidade Comunidade, esta aproximação e a partilha de práticas e visões entre empresas e economia social contêm uma oportunidade de transformação social e económica para o País. Como refere Filipe Almeida, “há imperativos de modernização importantes no setor da economia social. Para que realizem mais o seu potencial, é importante que adotem práticas e metas em linha com o que o setor privado valoriza.”

Do lado dos privados, realça, “é importante que percebam que a sua legitimidade para operar depende também do seu envolvimento direto na resolução dos problemas sociais e na resposta aos desafios coletivos. E isso faz-se essencialmente através da colaboração ativa com o setor da economia social.”
Também Sandro Resende sublinha a necessidade de “cada vez mais empresas ultrapassarem a simples doação, construírem estruturas, e ganharem mais conhecimento na área da responsabilidade social.
As novas diretrizes da União Europeia nesta área são um sinal importante para as empresas da necessidade de repensar, adaptar e trabalhar estas áreas.”

Prémio Fidelidade Comunidade contribuiu para o crescimento da economia social
Sandro Resende, artista plástico e empreendedor social

Sandro Resende, artista plástico e empreendedor social

Criação de uma comunidade

Para este empreendedor social, esta evolução nas práticas de responsabilidade social “é algo que a Fidelidade já faz há alguns anos, muito para além daquilo que é este prémio”. Mas no que diz respeito ao Prémio Fidelidade Comunidade, Sandro Resende sublinha “o esforço para ir além da atribuição do dinheiro, no sentido de perceber os problemas das entidades e intervir na sua resolução de forma mais global e continuada. Por exemplo, ajudando a garantir a sustentabilidade das equipas, e fazendo um acompanhamento que é muito importante para muitas entidades neste setor.”

Esta vertente do acompanhamento dos projetos premiados é igualmente sublinhada por Maria de Belém Roseira: “Após a atribuição do prémio, a Fidelidade continua a acompanhar as entidades no sentido não só de as apoiar no cumprimento do objetivo do projeto apresentado, mas de garantir a sua capacitação, para que qualifiquem a sua atividade e aumentem o seu impacto.”Neste contexto, afirma a ex-ministra, “este acompanhamento materializa-se numa relação efetiva com a Fidelidade e com a integração numa comunidade de entidades que a empresa ajuda e apoia numa grande variedade de situações”.

Há a necessidade de cada vez mais empresas ultrapassarem a simples doação, construírem estruturas, e ganharem mais cconhecimento na área da responsabilidade social.

Sandro Resende

Prémio pioneiro

Na perspetiva de Filipe Almeida, o Prémio Fidelidade Comunidade foi o primeiro prémio corporativo a ter as características do que classifica como moderna filantropia estratégica. Para este membro do júri, “este é um prémio que está alinhado com a estratégia corporativa e que tem um processo seletivo muito exigente, com um escrutínio de proximidade que vai para além da candidatura que se recebe”. Mas, sobretudo, “é um prémio que não apenas transfere recursos, mas também fortalece as competências das organizações, partilha boas práticas, exige transparência no processo, e faz a avaliação dos impactos”. Ou seja, “faz um acompanhamento de proximidade depois da entrega do prémio e permite que o próprio promotor, neste caso a Fidelidade, aprenda através do contacto com estes projetos e também vá transformando a sua visão do setor e do País”, conclui.

Como afirmou Jorge Magalhães Correia, presidente do Conselho de Administração, em entrevista recente, “a forma como fazemos o acompanhamento destes projetos é essencial para o sucesso e eficácia destes. O nosso trabalho não se esgota na atribuição do Prémio Fidelidade Comunidade. Não se esgota com o cheque que passamos. Mais do que um apoio a projetos específicos, este Prémio representa uma porta de entrada numa comunidade, a Comunidade Fidelidade. A partir desse momento a Fidelidade continua a acompanhar de perto o desenvolvimento organizacional destas entidades, com quem mantemos um contacto muito próximo. E neste contexto, tiramos partido da nossa história, das nossas competências e da nossa capacidade de envolver as empresas do grupo, fornecedores, clientes e parceiros de negócio”.